Lentes de contato oferecem campo visual amplo, conveniência para atividades físicas e opções estéticas.
Mas lentes não são “acessórios”: são dispositivos médicos que interagem diretamente com a córnea e a superfície ocular.
Por isso, antes de decidir se deve usar lentes de contato, confirme se você cumpre os requisitos técnicos e de higiene para proteger a sua visão.
Requisito fundamental 1: avaliação oftalmológica completa.
Antes de qualquer adaptação, é obrigatório passar por um exame oftalmológico completo com um médico oftalmologista. A avaliação costuma incluir:
- Refração (medida do grau);
- Biomicroscopia (lâmpada de fenda) para avaliar pálpebras, conjuntiva e córnea;
- Topografia ou ceratoscopia corneana (curvatura da córnea);
- Paquimetria (espessura corneana) quando indicado;
- Testes de lágrima e superfície ocular (se houver sintomas de olho seco);
- Avaliação da saúde endotelial em casos selecionados.
A adaptação de lentes é feita pelo médico e depende desses exames para escolher o tipo, material e curvatura adequados.
Requisito 2: prescrição e ajuste profissional.
Mesmo lentes de contato descartáveis “de fábrica” exigem prescrição.
O oftalmologista escolhe a lente com base na anatomia do seu olho, no grau e no estilo de vida (esportes, trabalho em ambientes secos, necessidade de correção de astigmatismo, etc.).
O ajuste inclui experimentar a lente, observar sua movimentação e conforto, e instruir sobre uso e manutenção.
A indicação do Dr. Márcio Perin é que, sem prescrição ou sem ajuste, você não deve usar lentes de contato.
Quem geralmente pode usar lentes de contato?
A maioria das pessoas com erro refrativo (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia, com opções específicas) são candidatos potenciais a lentes de contato, desde que a superfície ocular esteja saudável.
Idade em si não é uma barreira absoluta. Crianças e adolescentes podem usar lentes com supervisão adequada. Muitas pessoas começam por volta dos 12 anos, mas a decisão é individual.
Quem pode não poder usar lentes de contato: principais contraindicações
Existem situações em que as lentes de contato são desaconselhadas ou precisam de cuidados especiais. Se você tem uma infecção ocular ativa (ceratite, conjuntivite infecciosa), o uso da lente deve ser suspenso até a resolução.
No caso de olho seco severo ou doença severa da superfície ocular, a adaptação de lentes convencionais é prejudicada e opções terapêuticas (esclerais, lágrimas artificiais, tratamentos) podem ser consideradas.
A blefarite crônica ou reações alérgicas severas são um impedimento às lentes ou soluções.
Pacientes com ceratocone avançado ou ectasias precisam de lentes rígidas especiais (RGP, esclerais) ou avaliação para cirurgia.
Já quem tem um histórico médico de ulceração corneana recorrente ou de higiene inadequada apresenta um risco elevado de complicações.
No entanto, é importante ressaltar que, em muitos casos, o tratamento da condição (como tratar blefarite, controlar alergia, tratar olho seco) pode tornar a pessoa apta a usar lentes posteriormente.
Tipos de lentes e quando são indicadas
- Lentes gelatinosas descartáveis (diárias ou mensais): mais confortáveis e muito difundidas. As diárias reduzem risco de infecção por eliminar a rotina de limpeza;
- Lentes tóricas: para astigmatismo;
- Lentes multifocais: para presbiopia (quem já precisa de multifoco);
- Lentes rígidas gás-permeáveis (RGP): indicadas para correção de altas ametropias e ceratocone; durabilidade maior e boa acuidade;
- Lentes terapêuticas e esclerais: usadas para doenças da superfície ocular, olho seco severo ou proteger a córnea durante cicatrização; exigem acompanhamento rigoroso.
Requisitos de higiene: regras que salvam visão.
O maior risco associado ao uso de lentes é a infecção corneana (ceratite microbiana), que pode levar a cicatrizes e perda de visão se negligenciada.
Por isso, lave e seque bem as mãos antes de tocar as lentes e use a solução indicada para a limpeza das mesmas e do estojo no qual são guardadas.
Siga rigorosamente o ciclo de troca (diária, semanal ou mensal) recomendado. Além disso, troque o estojo a cada 3 meses e use solução nova a cada limpeza.
Outra regra básica é não dormir com as lentes. A menos que a lente seja especificamente aprovada e prescrita para uso prolongado. Mesmo assim o risco é maior.
Seguir essas práticas reduz muito o risco de complicações sérias. O CDC e sociedades oftalmológicas oferecem listas práticas sobre esses cuidados.
Sinais de alerta: quando procurar o oftalmologista imediatamente.
Se você usar lentes e apresentar qualquer um desses sinais, remova a lente, se possível, e procure atendimento oftalmológico imediatamente:
- Dor ocular intensa;
- Vermelhidão importante;
- Sensação de corpo estranho persistente;
- Visão embaçada ou perda súbita de visão;
- Sensibilidade à luz (fotofobia).
Esses são sintomas que podem indicar infecção corneana e exigem avaliação urgente.
Lentes de contato transformam a rotina de muitas pessoas, mas exigem avaliação médica e responsabilidade no uso.
Se você está considerando começar a usar lentes ou quer fazer uma revisão no modelo que você já está usando, agende uma consulta com o Dr. Márcio Perin e cuide dos seus olhos com segurança.
Rua Antenor Lemos 57 – 6º Andar, Menino Deus
Porto Alegre/RS




