Cirurgias de catarata: passo a passo do diagnóstico à recuperação.

As cirurgias de catarata são consideradas um procedimento seguro, capaz de devolver qualidade de vida e independência visual para muitas pessoas. 

Entender o percurso, do diagnóstico até a recuperação, ajuda a reduzir a ansiedade e a tomar decisões alinhadas com suas expectativas.

Neste post, explicamos como a catarata é detectada, quais exames são feitos, as opções cirúrgicas, o que acontece no dia da cirurgia e como é a recuperação. 

O que é catarata em poucas palavras

Catarata é a opacificação progressiva do cristalino, a “lente” natural do olho. Com o tempo ela turva a visão, reduz o contraste e pode causar halos ao dirigir à noite. 

É um processo geralmente relacionado à idade, mas também pode ocorrer por trauma, medicações (como corticoides), doenças sistêmicas ou causas congênitas.

Sintomas que levam ao diagnóstico

Os sintomas claros de catarata são visão embaçada ou “nuvem” progressiva, dificuldade para dirigir à noite por causa de reflexos e halos e visão dupla em um olho (diplopia monocular).

Se você perceber uma perda de contraste e cores “apagadas” ou sentir necessidade de fazer trocas frequentes de óculos sem melhora significativa, esses também podem ser sinais para você procurar um oftalmologista.

O diagnóstico precoce ajuda na escolha do momento ideal para operar e melhora os resultados.

Passo 1 — Avaliação inicial e exames essenciais

A jornada para as cirurgias de catarata começa no consultório com uma consulta completa:

  • Anamnese: histórico médico (diabetes, uso de corticoides, medicamentos), cirurgias prévias, sintomas e expectativas visuais;
  • Acuidade visual: com e sem correção; serve para medir quanto a catarata impacta sua visão;
  • Exame com lâmpada de fenda (biomicroscopia): avalia a opacidade do cristalino e condições da córnea, íris e segmento anterior;
  • Medicação pupilar e exame do fundo de olho: para avaliar retina e mácula, importante para prever ganho visual pós-operatório;
  • Biometria e Paquimetria: medidas precisas do comprimento axial do olho e da curvatura corneana, essenciais para calcular o poder da lente intraocular (LIO);
  • Topografia corneana (se necessário): para candidatar-se ao uso de lentes tóricas que corrigem astigmatismo;
  • Avaliação de comorbidades oculares: glaucoma, degeneração macular, olho seco e outros.

Com base nesses exames o cirurgião explica quais são as expectativas reais de visão e quais opções de lente intraocular são mais indicadas.

Passo 2 — Planejamento e escolha da lente (IOL)

A cirurgia de catarata já inclui a substituição do cristalino por uma lente intraocular. Hoje existem várias opções:

  • Monofocais: corrigem para distância; óculos para leitura geralmente necessários;
  • Tóricas: monofocais que corrigem astigmatismo;
  • Multifocais e EDOF: projetadas para reduzir a dependência de óculos tanto para visão de longe quanto para perto e intermediária (podem causar halos em algumas pessoas);
  • Lentes personalizadas: escolha depende do estilo de vida, exames e saúde ocular.

O cirurgião indica a melhor opção após discutir prós, contras, custo e expectativas.

Passo 3 — Preparação pré-operatória

As orientações médicas são suspensão de anticoagulantes só quando indicado, jejum se for sedação e uso de colírios prescritos.

A medicação tópica depende da escolha do médico, alguns programas usam antibiótico e anti-inflamatório antes da cirurgia.

Em relação à logística, é necessário combinar transporte no dia da cirurgia, pois você não poderá dirigir e informar sobre a ausência no trabalho, conforme necessidade.

O dia da cirurgia — o que acontece

  • A cirurgia de catarata é rápida, geralmente de 15 a 30 minutos por olho, e realizada em ambiente ambulatorial;
  • Recepção e preparo: verificação de exames e identidade; dilatação pupilar; assepsia do olho;
  • Anestesia: normalmente tópica (colírios) combinada com sedação leve; em casos específicos, anestesia peribulbar;
  • Incisão: micro-incisão corneana, praticamente sem pontos na maioria dos casos;
  • Capsulorrexe: abertura circular na cápsula anterior do cristalino para acesso;
  • Facoemulsificação: fragmentação do núcleo opacificado por ultrassom e aspiração;
  • Implante de IOL: inserção da lente dobrável dentro da cápsula do cristalino;
  • Fechamento: incisão auto-selante; às vezes um ponto se necessário;
  • Pós-operatório imediato: colírios antibiótico e anti-inflamatório; proteção ocular.

Há variações, como a cirurgia assistida a laser (FLACS), mas a essência é essa.

Recuperação — como é nas primeiras semanas

Nas primeiras 24 horas, a visão pode estar borrada. A indicação é usar proteção ocular e evitar molhar o olho conforme orientação.

Na primeira semana, você deve fazer um retorno ao oftalmologista em 24 a 48 horas após a cirurgia. Em geral, já há melhora significativa.

No primeiro mês, acontece a estabilização da visão na maioria dos pacientes.

É nas primeiras 6 semanas que se ajustam os óculos definitivos, se necessário.

Por fim, as recomendações práticas são não esfregar o olho, evitar esforços físicos, natação e maquiagem nas primeiras semanas. Além de seguir rigorosamente a prescrição de colírios.

Expectativas reais — quando a visão melhora e o que é normal

Muitos pacientes notam melhora já no dia seguinte; a visão continua a refinar nas semanas seguintes. 

Em olhos com doenças de retina, como degeneração macular, o ganho pode ser limitado. Por isso a avaliação pré-operatória é feita para alinhar expectativas.

Se você sente que sua visão está diminuindo ou deseja uma avaliação completa para saber se é hora de operar, entre em contato com o Dr. Márcio Perin e recupere a qualidade da sua visão.

Dr. Márcio Perin

Rua Antenor Lemos 57 – 6º Andar, Menino Deus – Porto Alegre

Porto Alegre/RS