A palavra catarata costuma evocar a imagem de alguém idoso e com visão embaçada. Isso tem fundamento, pois a idade é, de fato, o fator mais comum.
Ainda assim, reduzir a catarata apenas ao envelhecimento cria mitos que atrasam o diagnóstico, alimentam medos desnecessários e confundem sobre o momento correto de operar.
Neste texto, vamos desarmar essas ideias prontas, explicar como a catarata além da idade pode surgir e evoluir e mostrar quando a cirurgia é indicada.
O que é catarata?
A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural dentro do olho que foca a luz na retina. Quando o cristalino perde a transparência, a luz se espalha e a imagem chega borrada ao centro visual.
É diferente de outras doenças oculares porque não costuma doer nem causar vermelhidão.
Os sintomas típicos são:
- piora progressiva da visão;
- ofuscamento ao dirigir à noite;
- necessidade frequente de trocar a receita dos óculos.
A idade é a causa mais comum, mas a catarata é uma condição com várias origens e apresentações.
É importante entender que “ter catarata” não significa automaticamente que você precisa operar hoje. A catarata é uma alteração do cristalino e a indicação de tratamento depende do quanto isso afeta a vida do paciente.
Mito 1: “Catarata só acontece em idosos”.
Muitos acreditam que catarata é sinônimo de terceira idade. Embora o envelhecimento seja o fator principal, existem formas de catarata que atingem pessoas jovens e até crianças.
Um trauma ocular, uso prolongado de corticosteroides, doenças metabólicas como diabetes e alterações genéticas podem provocar catarata em idades precoces.
Ou seja, não é apenas o tempo que conta, mas são os fatores que atuam sobre o cristalino.
Portanto, se você tem dor de cabeça relacionada aos olhos, visão embaçada ou histórico de trauma ou uso de medicamentos que afetam o olho, não espere “chegar na velhice” para investigar.
Mito 2: “Só operar quando a catarata ‘amadurecer’ ou ficar branca”.
Historicamente, as técnicas antigas esperavam que a catarata ficasse muito densa antes da cirurgia.
Hoje isso mudou e a decisão de operar é funcional, e não mais movida pela aparência estética do olho.
Independente de a lente estar com aparência branca ou não, a cirurgia é indicada se a visão está comprometendo tarefas diárias, como dirigir, trabalhar ou ler, e os óculos e as lentes já não resolvem.
Em resumo, o momento da cirurgia é quando a qualidade de vida e a segurança do paciente são afetadas, não quando a catarata aparenta estar “madura”.
Mito 3: “A doença volta depois da cirurgia”.
Esse é um dos medos mais comuns no consultório. Muitas pessoas acreditam que, depois de operar, a opacificação pode voltar com o tempo. Mas isso não acontece.
A opacificação do cristalino natural, é removida definitivamente durante a cirurgia e substituída por uma lente intraocular artificial, que não desenvolve catarata.
O que pode ocorrer, meses ou anos depois, é a chamada opacificação da cápsula posterior, uma película fina atrás da lente que pode se tornar turva.
Essa condição às vezes é confundida com a volta da catarata, mas não é a mesma coisa. E o melhor é que o tratamento é simples, rápido e feito com laser YAG, em consultório, devolvendo a nitidez da visão sem necessidade de nova cirurgia.
A mensagem principal é clara, ela não volta. Quando há perda de nitidez depois da cirurgia, na maioria das vezes é algo fácil de resolver e não um retorno da doença.
Como a catarata além da idade evolui: não existe um único caminho.
A progressão varia muito. Em algumas pessoas, a perda visual é lenta ao longo de anos. Em outras, especialmente quando há doenças sistêmicas, como diabetes ou catarata pós-traumática, a evolução pode ser mais rápida.
O tipo de catarata também altera o quadro. A subcapsular posterior, por exemplo, costuma causar problemas com leitura e ofuscamento mesmo quando ainda é pequena.
Por isso, o Dr. Márcio Perin destaca que só com avaliações periódicas podemos comparar exames, testar sua acuidade visual e decidir se o impacto funcional justifica a cirurgia.
Monitorar é diferente de deixar para depois, pois o acompanhamento permite agir no momento certo.
Quando operar? Critérios práticos
A cirurgia é a única forma de restaurar a transparência do cristalino. Dito isso, não existe uma idade mínima ou máxima universal para operar.
A indicação baseia-se em três pilares:
- Impacto na vida diária: dificuldade para dirigir, ler ou trabalhar;
- Segurança: visão insuficiente para atividades que colocam o paciente em risco;
- Potencial benefício: quando a cirurgia tem boas chances de melhorar a visão, considerando outras doenças oculares coexistentes (como degeneração macular ou glaucoma).
A presença de catarata por si só não obriga a realização da cirurgia. A decisão é individualizada e compartilhada entre médico e paciente. Em suma, é hora de fazer o procedimento quando está atrapalhando a vida e não porque o paciente chegou à certa idade.
O que o paciente pode (e não pode) esperar da cirurgia
Atualmente, a cirurgia de catarata é uma das mais seguras e previsíveis da oftalmologia, feita quase sempre com anestesia local e alta no mesmo dia. O objetivo é substituir o cristalino opaco por uma lente intraocular que restaure a qualidade de imagem.
Entretanto, é preciso ter expectativas realistas. Se houver doença macular ou neuropatia óptica associada, a melhora pós-operatória pode ser limitada.
Por isso a avaliação completa antes da cirurgia define o prognóstico e evita frustrações. Em resumo, a cirurgia é eficaz e segura para a maioria, mas o sucesso depende do estado geral dos olhos.
Posso prevenir a catarata ou só aceitar que vem com a idade?
Não existe pílula que impeça uma catarata já formada, pois medicamentos não reparam o cristalino opaco.
O que dá para fazer, e é efetivo, é reduzir riscos como:
- controlar diabetes;
- parar de fumar;
- usar proteção solar adequada;
- evitar o uso desnecessário de corticosteroides por longos períodos sem supervisão médica.
Cuidar da saúde geral e fazer exames oftalmológicos regulares não garante que você nunca terá catarata, mas aumenta muito as chances de detectá-la cedo e tratá-la no momento certo.
Quer conversar para entender melhor o assunto? Marque sua consulta com o Dr. Márcio Perin para fazer uma avaliação completa, tirar dúvidas e planejar o melhor momento para tratamento.
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